terça-feira, 16 de agosto de 2016

Ginástica artística brasileira entra para a história e conquista duas medalhas no solo na Rio 2016
Diego Hypolito e Arthur Nory Mariano garantiram a prata e o bronze, respectivamente; mais três brasileiros participam das finais olímpicas

Fotos Ricardo Bufolin


Rio de Janeiro (RJ) - Impossível traduzir em uma palavra o que Diego Hypolito e Arthur Nory Mariano sentiram neste domingo (14). Sentimentos como superação, gratidão e alegria passaram pela cabeça da dupla de ginastas, que escreveu para sempre os nomes na história da modalidade. Para a torcida presente na Arena Olímpica do Rio, o orgulho por ver dois brasileiros no pódio dos Jogos Olímpicos falou mais alto.

Atual campeão olímpico por equipe e no individual geral, o japonês Kohei Uchimura abriu as apresentações no solo, com 15,241 pontos. Diego veio logo depois, fez uma série segura e, logo na saída, abraçou com gratidão o técnico Marcos Goto. A série assegurou ao ginasta 15,533 (6,800 de dificuldade e 8,733 de execução) e arrancou aplausos da torcida. Na sequência, veio o britânico Max Whitlock, com 15,633. A essa altura, Diego era o segundo na classificação e precisou segurar a ansiedade e esperar outros cincos ginastas entraram no tablado, entre eles o companheiro de Seleção Nory. Com uma série mais difícil do que a da classificatória, o brasileiro garantiu 15,433 (6,700 de dificuldade e 8,733 de execução) e o terceiro lugar. Bastavam apenas três atletas. Enquanto Diego chorava, Nory abaixou-se no chão. Passava um filme na cabeça por toda a dedicação que tiveram até chegar a esse momento histórico. Felizmente, o trabalho foi coroado com louvor. Nenhum dos três ginastas seguintes superaram as notas dos brasileiros. A dobradinha inédita no pódio deixou Diego, Nory e o público em êxtase. A ginástica artística brasileira entrava, definitivamente, para a história olímpica.






"Esse é o dia mais importante da minha vida", resumiu Diego. "Na hora que eu estava competindo, tentei me isolar de tudo que pudesse me atrapalhar. Já participei de outros dois Jogos Olímpicos, quando vivi momentos difíceis, mas consegui me superar. Na minha última passada veio na minha cabeça um filme de Pequim e Londres e só pensei em tirar isso, pois sei o quanto trabalhei para ter essa oportunidade novamente. Essa medalha me mostrou que temos que sonhar alto para alcançar. Nunca deixei de acreditar. Tudo valeu a pena. Amo demais o que faço e não vou parar com a ginástica. O Marcos Goto é um técnico campeão e merecedor dessa medalha", completou.

Marcos Goto foi o responsável pelos treinamentos de Diego nos últimos meses. Por tudo o que trabalharam juntos na reta final, Diego tem por ele grande gratidão e respeito. Para o exigente treinador, o ginasta se dedicou ao máximo e merece ter subido ao pódio. "O volume de trabalho do Diego foi bem alto, mas ele acreditou no planejamento que montamos e seguiu tudo a risca. Disse que com a quantidade de repetições, ele teria mais segurança para competir bem. Realmente, ele chegou mais confiante. Treinar ao lado do Arthur deu a ele uma confiança muito grande. O Arthur não reclama de nada, não se opõe, faz tudo o que é planejado para ele. O Diego seguiu essa mesma linha. Acredito que tudo conspira a nosso favor quando agimos corretamente. A minha escola é a vida. As coisas são conquistadas pela luta, trabalho, dedicação e, principalmente, disciplina. Para mim, disciplina é tudo", reforçou Marcos, também treinador de Arthur Zanetti, campeão olímpico nas argolas em Londres 2012.







Fã número um e maior inspiração de Diego, Daniele Hypolito era só emoção após a medalha do irmão mais novo. Quando se encontraram, Diego não parava de agradecer a irmã. Segundo Dani, o trabalho do ginasta foi coroado da melhor maneira possível. "Ter a oportunidade de estar presente e ver a final do meu irmão de pertinho foi muito bom. Só o fato dele estar competindo em casa, feliz e na terceira Olimpíada da carreira já era uma conquista para nós, mas ele foi coroado com a tão sonhada medalha olímpica. Só tenho a parabenizar os garotos", contou, emocionada.

O pódio olímpico do solo foi um verdadeiro encontro de gerações. Se Diego tem 30 anos e participou da terceira edição de Jogos Olímpicos da carreira, Nory, de 22, estava estreando. Sempre sorridente, Nory frisou que acabava de realizar um sonho antigo. "Depois que fiz a minha série eu estava tão feliz, tão grato por tudo, que deitei no chão e agradeci pela oportunidade de ter dado o meu máximo. Tudo deu certo. Chegou o grande dia, agora sou medalhista olímpico. Sempre acreditei que conseguiria. Batalhei diariamente para chegar até aqui e nunca desisti. Vim para fazer o que sonhei a minha vida inteira. Vou seguir trabalhando para melhorar ainda mais para 2020", brincou, referindo-se aos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Técnico de Nory há muitos anos, Cristiano Albino não conteve as lágrimas ao ver o ginasta brilhando no pódio olímpico. "Sempre acreditei que o Nory tinha chance. O solo dele é bom e ele demonstrou isso aqui mais uma vez, mas sabíamos que o único jeito que tínhamos de buscar uma medalha era aumentando a nota de partida. Após a final do individuai geral, focamos totalmente nisso. Estudamos e vimos o que melhor se encaixava na série e desse mais confiança para ele. Treinamos alguns elementos que ele já fazia e que poderia dar um acréscimo na nota de partida. Deu certo. Esse é o resultado de um trabalho de longa data. A ginástica teve uma evolução muito grande, principalmente nos dois últimos ciclos. Nós passamos a ser referência para outros países", destacou.

Nesta segunda-feira (15), no segundo dia de finais por aparelhos, Arthur Zanetti participa da decisão das argolas, das 14h às 14h45, e Flávia Saraiva da trave, das 15h40 às 16h25. No dia seguinte, Francisco Barretto Júnior está entre os oito finalistas da barra fixa.

Fonte: Photoegrafia

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